Bem-vindo!

Dada a minha relativamente rica experiência de vida, designadamente no âmbito profissional, foi-me sugerido por alguns colegas e amigos que a transmitisse, por intermédio de um blogue. Assim, aqui lhes irei transmitindo experiências de vida, de cariz profissional mas não só. Experiências desde a minha adolescência. Experiências com amigos e com causas. No fundo experiências de um português que nasceu no pós-guerra, que viveu a Ditadura e a Democracia, e que teve a sorte de ter uma vida compartilhada com tantos amigos...

Agradeço o vosso contacto para curvelogarcia@netcabo.pt



quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Não podemos ficar indiferentes



A propósito da recente expulsão de França para outros países europeus, de cidadãos de etnia cigana, não podemos ficar indiferentes, como a "indiferença" do célebre poema de Bertolt Brecht:

A Indiferença
Primeiro levaram os comunistas, / mas eu não me importei / porque não era nada comigo.
Em seguida levaram alguns operários, mas a mim não me afetou / porque eu não sou operário.
Depois prenderam os sindicalistas, / mas eu não me incomodei / porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir chegou a vez / de alguns padres, / mas como nunca fui religioso, também não liguei.
Agora levaram-me a mim / e quando percebi, / já era tarde.

Esta decisão do governo francês, atropelando claramente um dos mais importantes princípios da cidadania europeia (livre circulação dos cidadãos europeus, dentro do espaço europeu), chocou-me profundamente, como a tantos milhares de cidadãos como eu, sobretudo por ser tomada essa decisão sobre um determinado grupo étnico. Não se expulsaram marginais ou criminosos, o que já era muito grave e ofensivo dos direitos humanos. Expulsaram-se cidadãos de um determinado grupo étnico!
Pode não ser racismo, como nos querem fazer acreditar, mas que parece, parece!
Pode não ser uma tentativa de regresso ao pior que a Humanidade sofreu no século XX, mas que parece, parece!
E vem esta decisão de um país, a França, com tantas responsabilidades na defesa das liberdades e dos direitos do Homem!
Onde está a Europa das liberdades, em que nos fazem acreditar?
Mas é um fato que a única vez que sofri pessoalmente uma atitude de discriminação étnica foi em Paris, em 1966: fui impedido de entrar num local público, por estar acompanhado de amigos meus, argelinos e libaneses.

A.S. Curvelo-Garcia

1 comentário:

  1. Tudo isto que está a acontecer leva-me a crer que, de facto, as tais garantias, cidadanias, direitos e deveres que nos "vendem" como base da sociedade em que vivemos são apenas publicidade enganosa.
    Alguém que viveu a 2ª guerra mundial disse-me, há muitos anos atrás, nada é garantido e a história repete-se. Parece que sim...

    ResponderEliminar