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Dada a minha relativamente rica experiência de vida, designadamente no âmbito profissional, foi-me sugerido por alguns colegas e amigos que a transmitisse, por intermédio de um blogue. Assim, aqui lhes irei transmitindo experiências de vida, de cariz profissional mas não só. Experiências desde a minha adolescência. Experiências com amigos e com causas. No fundo experiências de um português que nasceu no pós-guerra, que viveu a Ditadura e a Democracia, e que teve a sorte de ter uma vida compartilhada com tantos amigos...

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Alguns amigos especiais...

Começo por me interrogar: haverá amigos especiais? Efetivamente, acho que não. Há, simplesmente, amigos...
E os amigos correspondem certamente ao melhor que a vida nos pode dar.
A um amigo nada se exige, mas tudo se dá... ou se deverá dar...
A um amigo nada se desculpa, porque nunca se admite que tenha culpa seja do que for...
Um amigo está sempre presente, mesmo quando se esteja muitos anos sem o ver...
Quando se pretende fazer uma lista de amigos, a tarefa fica sempre incompleta... ficam sempre a faltar muitos outros...
E não me venham dizer que nos referimos aos principais... os amigos são sempre principais. E não me venham dizer que são só os especiais... pois especiais são todos. E não me venham dizer que são só os amigos que estão hoje mais presentes na nossa vida atual... porque há muitos outros que, estando embora agora ausentes, estão sempre presentes.
Por isso, uma lista de amigos é sempre uma lista de alguns amigos...
Por isso, a referência que faço agora a estes (alguns) amigos é apenas uma PRIMEIRA listagem de alguns amigos!
Esclareço desde já que aqui não farei qualquer referência a elementos da minha família - a referência a esses grandes amigos não cabe nesta crónica... por razões facilmente entendíveis.

João José Casanova Ribeiro - Tenho 65 anos e conheço-o há mais de 60. Refiro-me a ele na crónica deste blogue Felizmente havia luar..:Íamos saindo (... presos no Governo Civil de Lisboa) já noite dentro... Chuviscava... Sentado no passeio em frente do Governo Civil, um amigo me esperava... o João José! Nunca mais na vida esquecerei essa imagem de solidariedade!
E quantas imagens de solidariedade e de amizade retenho: juntos nas atividades profissionais dos nossos respetivos pais, colegas no nosso Liceu de Portalegre, íntimos nas atividades do AMICITIA-Grupo Cultural de Portalegre, e na casa que partilhávamos, com diversos outros amigos, enquanto estudantes em Lisboa,  e também nas atividades académicas,  no serviço militar em Mafra e em inúmeras situações após o 25 de Abril (continua a ser ainda hoje o meu guia em todas as anuais Festas do Avante).

Sérgio de Sousa Bento - Certamente um dos meus grandes e mais importantes amigos. Tínhamos tudo à partida para não sermos amigos íntimos: ele era um beirão junto ao Alentejo e eu era um alentejano junto à Beira. Eu era do Técnico com vocação para as Ciências, ele era um homem de letras, pretendendo ser jurista. Ele era um poeta, eu pretendia sê-lo sem o conseguir. Na juventude, ele era da área do existencialismo, eu era da do neorrealismo (que discussões tivemos sobre estas formas de expressão literária, fazendo parcialmente as pazes com o "Nouveau Roman"!). Ele defendia a arte pela arte, eu defendia que a arte deveria estar sempre ao lado dos oprimidos e deveria ter um papel claramente intervencionista.  Como me recordo das trocas de cartas que mantivemos sobre esta temática. Ele era grande amante da tauromaquia, eu detestava isso. Ele era do Sporting, eu era do Benfica.
Vi-o chorar de raiva por duas vezes: uma, quando pela enésima vez chumbou na Cadeira de Direito Corporativo, não tendo tido a coragem de ter "enxovalhado" no exame a sinistra figura do Professor Soares Martinez; outra, quando eu recebi a sanção do processo disciplinar a que me refiro na crónica deste blogue.
Estivemos a residir, durante dois anos, em duas casas de estudantes em Lisboa.
Partilhámos tudo... sobretudo uma eterna amizade. Partilhámos inúmeras confidências.
Faleceu já há alguns anos, com uma cirrose...

António Pedro da Costa Belchior -Foi um dos primeiros colegas meus, quando iniciei a minha carreira profissional em Investigação Enológica, em 1969, no então Centro Nacional de Estudos Vitivinícolas, em Dois Portos (Torres Vedras). Juntamente com outros colegas nossos, ajudámo-nos um ao outro a construir um organismo de investigação vitivinícola, que veio a ser a Estação Vitivinícola Nacional, organismo assassinado há alguns anos, fato que virá constituir um artigo próximo neste blogue. Ainda hoje, ele já aposentado, e eu quase, continuamos em parceria no pouco que ainda resta desse organismo: a revista Ciência e Técnica Vitivinícola.
Evidentemente, no acessório nem sempre estivemos de acordo e diversas vezes tomámos lados opostos. Mas, no essencial, estivemos sempre do mesmo lado da barricada, e muito nos ajudámos mutuamente.

Gregório Laranjo -Exemplo de permanente combatividade, de inexcedível entrega aos outros e aos valores em que acredita. Exemplo de uma vida inteira de militância sindical e cristã. Sempre na primeira linha no protesto. De dentro do seu aspeto cerrado, da sua espessa e longa barba, salta e emerge um bom coração, de dedicação às causas e às pessoas.

Manuel Bravo Lima -Uma vida de investigação científica, iniciada em Entomologia, mas sobretudo desenvolvida em análise numérica multivariada. Tal como muitos outros colegas meus, aprendi imenso com ele. Os seus ensinamentos foram-me de enorme utilidade em muitos dos meus próprios trabalhos de investigação. Quanto trabalho fizemos em parceria! Por outro lado, não conheci ninguém com um tão elevado espírito crítico associado a um tão vincado sarcástico sentido de humor.

Vasco Manuel Hipólito Soares Justino - Conhecemo-nos nos princípios dos anos 80, no âmbito da Comissão Técnica Portuguesa de Normalização de Métodos de Análise de Bebidas Alcoólicas e Espirituosas. Trabalhámos juntos mais tarde, no Instituto da Vinha e do Vinho (quando eu era Vice-Presidente deste organismo). Mais tarde ainda, em 1993, quando iniciei as funções de Diretor da Estação Vitivinícola Nacional (EVN), convidei-o para Chefe da Divisão de Formação Profissional, desta Estação,  funções que exerceu até 1996, quando passou a desempenhar as funções de Subdiretor. Enquanto eu fui Diretor da EVN (até 2008), continuou o desempenho dessas funções de Subdiretor.
Foram pois quase três décadas de trabalho em conjunto que facilmente se tornaram numa muito profunda relação de amizade, face às suas muito vincadas qualidades de trabalho e de perfil humano. Entre tantas dessas qualidades, destaco a sua alegria no contato com os colegas e amigos, a sua grande honestidade, o seu elevado espírito de colaboração e a sua muito elevada lealdade.
Eu, sócio e grande torcedor do Sport Lisboa e Benfica, considero-o  a ele (sócio e grande torcedor do Sporting Clube de Portugal), como grande exemplo dum adversário no campo desportivo, o que vem aliás demonstrar uma verdade que há muito grito: O Sporting é indispensável para a vida do Benfica e o Benfica é indispensável para a vida do Sporting!

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