Bem-vindo!

Dada a minha relativamente rica experiência de vida, designadamente no âmbito profissional, foi-me sugerido por alguns colegas e amigos que a transmitisse, por intermédio de um blogue. Assim, aqui lhes irei transmitindo experiências de vida, de cariz profissional mas não só. Experiências desde a minha adolescência. Experiências com amigos e com causas. No fundo experiências de um português que nasceu no pós-guerra, que viveu a Ditadura e a Democracia, e que teve a sorte de ter uma vida compartilhada com tantos amigos...

Agradeço o vosso contacto para curvelogarcia@netcabo.pt



segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Portalegre

Entre as cidades da minha vida, Portalegre ocupa claramente o lugar mais cimeiro, como se poderá constatar em quase todos os artigos deste meu blogue. Foi em Portalegre que nasci e onde vivi em permanência até aos meus 17 anos. Foi em Portalegre onde passei alguns dos melhores momentos da minha vida. Foi em Portalegre onde cultivei grandes amizades. Foi Portalegre que me ensinou esta maneira tão própria de ser português e de ser alentejano. É esta cidade tão peculiar... tão portuguesa e tão junta a Espanha! Tão alentejana e tão perto da Beira! Com uma fala  com um sotaque tão característico e tão diferente dos sotaques de localidades próximas (como Castelo de Vide, Nisa, Campo Maior, Elvas, Estremoz, ...). É bem a cidade descrita na Toada de Portalegre, de José Régio... e nos quadros de João Tavares, de Arsénio da Ressureição, de Renato Torres, de D'Assunção e até de meu tio Herculano Curvelo. É a cidade onde o país se divide: logo a sul a planície alentejana, a norte e bem a ela encostada as Serras (de Portalegre e de São Mamede, com os seus 1200 m...). Onde o país se divide orograficamente, mas onde nunca se divide afetivamente...
É pois esta a minha cidade de Portalegre! Portalegre é uma cidade onde não se passa... ou se vai lá ou não se vai. Talvez por isso, é das poucas capitais portuguesas que não tem autoestrada de ligação aos grandes centros. Talvez por isso, a estação de caminho-de-ferro está a 12 km da cidade, o que hoje em dia pouca importância tem, dado que quase já não há comboios...
Portalegre: ou se vai lá ou não se vai, não é terra para passar por lá. Tal como se ama ou se detesta! Não é terra que nos seja indiferente...
Portalegre, esta cidade onde o clima do Alentejo parece que mais se extrema: no Verão, 40°C ainda não é tudo e, no Inverno, brincamos alegremente com a neve. Cidade de profunda História republicana e de grandes tradições na resistência à Ditadura. Cidade com um invulgar acervo cultural e patrimonial... A Catedral, as majestosas igrejas de S. Lourenço e do Bonfim, o Castelo e as muralhas, os imensos palácios e casas brasonadas do século XVII... A casa-museu de José Régio, o Museu das Tapeçarias de Portalegre, o Museu da Cortiça, o Museu Municipal...
E também a cidade que deixou de existir, por força do dito "progresso": a cidade industrial do Marquês de Pombal, dos lanifícios e, mais tarde, das indústrias química e corticeira...
Foto: José Fernando
Complementos a estas referências, e à minha relação com esta cidade, poderão encontrar em outros artigos deste blogue: "As cidades da minha vida", "Elvas", "José Régio", "João Tavares - de aguarelista a cartonista... e as Tapeçarias de Portalegre", "Viva a República" e "Cultura científica - aprender, inovar, divulgar, cooperar". 
Termino com um vídeo (realizado e produzido por Gonçalo Curado, em portalegreonline.net)

                                                                                      

4 comentários:

  1. Feliz 2011!!
    Obrigado pela visita ao meu perfil.
    Um abraço de uma ribatejana arraçada de alentejana!!

    ResponderEliminar
  2. Muito boa noite.
    Muito obrigado pelo seu comentáio à fotografia nocturna tirada por mim, da ermita da Nossa Senhora da Penha.
    E queria acima de tudo dar-lhe os meus parabéns pelo facto de referir a Portalegre, com nostalgia, carinho e acima de tudo ao orgulho em afirmar-se um verdadeiro Portalegrense...
    Precisamos de mais pessoas com as mesmas caracteristicas e atitudes "vincadas" e que não renunciam o seu bairrismo.
    Mais uma vez, obrigado e os meus parabéns.
    Um abraço.
    José Fernando.

    ResponderEliminar
  3. Viva!

    Feliz pelo texto, mas triste por um convicto portalegrense escrever no seu perfil Lisboa... depois de tão bonitas palavras ficava-lhe bem escrever no seu perfil, Portalegre!

    Até já,

    PTG

    ResponderEliminar
  4. Gostei. Sou portalegrense e sinto-me sempre alentejana em toda a parte - e vivi em muitas partes!
    Longe, só tinha saudades do Alentejo, das searas, da Serra de São Mamede.
    Também tinha saudades do mar...
    Gostei muito da fotografia do José Fernando: é mesmo a miha cidade como eu a via à noite, lá de cima da Serra.
    Abraço (atrasado)
    o falcão

    ResponderEliminar