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Dada a minha relativamente rica experiência de vida, designadamente no âmbito profissional, foi-me sugerido por alguns colegas e amigos que a transmitisse, por intermédio de um blogue. Assim, aqui lhes irei transmitindo experiências de vida, de cariz profissional mas não só. Experiências desde a minha adolescência. Experiências com amigos e com causas. No fundo experiências de um português que nasceu no pós-guerra, que viveu a Ditadura e a Democracia, e que teve a sorte de ter uma vida compartilhada com tantos amigos...

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quarta-feira, 20 de abril de 2011

A Investigação Científica não é uma despesa, é um investimento!

Em 1 de Janeiro de 2006, há mais de 5 anos, publiquei o seguinte Editorial, no número 119 da Folha Informativa da Estação Vitivinícola Nacional

A Investigação Científica não é uma despesa, é um investimento!

Tal como a Cultura em sentido global, a Investigação Científica deverá ser sempre encarada como um investimento e não como uma simples despesa... É uma verdade tão basilar que ninguém a contesta. Mas essa não contestação deverá ser expressa em atos. E isto, infelizmente, nem sempre acontece. Se não, vejamos alguns exemplos...
No INIA (Instituto Nacional de Investigação Agrária), os projetos de IDE (Investigação e Desenvolvimento Experimental) próprios (financiados pelo PIDDAC), sujeitos a uma muito exigente avaliação ex-ante e ex-post, constituíram durante longos anos a base científica da instituição, assente nas prioridades do sector agrário e não nas prioridades definidas globalmente pelas instituições financiadoras da investigação e pela própria União Europeia. Eram pois considerados como um investimento. Desde há algum tempo que terminou esta filosofia de entendimento e o PIDDAC passou apenas a contemplar despesas de capital ou diretamente com elas correlacionadas.
Por outro lado, na gestão de projetos de IDE, modificar ao longo de um ano económico as despesas elegíveis pode seriamente comprometer a sua execução e originar que o tal referido investimento se converta numa simples despesa, ainda por cima sem os necessários out-put.
Muitos outros exemplos poderia aqui referir para consubstanciar a ideia de que mais importante que não contestar que a Investigação Científica deverá ser considerada como um investimento é, na prática, promover as orientações nesse sentido e impedir que orientações contrárias prevaleçam.
São estes os meus votos para 2006, certo que serão corroborados pelo resistente corpo científico da instituição a que pertenço, o INIAP.

Entretanto, passou 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011 já vai quase a meio.
E nada foi alterado nesta forma de pensar e de agir!
O resultado está à vista de todos: já quase não há investimento sério em Ciência, a despesa sem sentido continua a crescer, os out-puts vão diminuindo...
E o País da Ciência está mais triste e sem rumo!
Inevitável em tempos de crise? Claro que não!!!
Responsabilize-se e deixe-se os Cientistas fazer crescer a Ciência. O país ficará grato!

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