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Dada a minha relativamente rica experiência de vida, designadamente no âmbito profissional, foi-me sugerido por alguns colegas e amigos que a transmitisse, por intermédio de um blogue. Assim, aqui lhes irei transmitindo experiências de vida, de cariz profissional mas não só. Experiências desde a minha adolescência. Experiências com amigos e com causas. No fundo experiências de um português que nasceu no pós-guerra, que viveu a Ditadura e a Democracia, e que teve a sorte de ter uma vida compartilhada com tantos amigos...

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domingo, 8 de maio de 2011

De Cunhal a Soares e a Sá Carneiro

Durante as mais de três décadas da Democracia portuguesa, muitas figuras se afirmaram na política e na afirmação da cidadania do povo português.
Cito aqui três portugueses, que souberam, certamente de formas muito diferentes, dar ao nosso país o melhor que tinham  e que podiam dar.
Alguns traços que lhes são comuns: determinação, enorme força combativa, profunda ligação à Pátria e, o que reputo de muito elevada importância, enorme riqueza cultural e grande sensibilidade.
São eles: Álvaro Cunhal, Mário Soares e Francisco Sá Carneiro.
Esta referência, neste meu blogue, tem apenas um sentido: manifestar aqui o meu total respeito por estes três grandes portugueses, a quem Portugal, a Democracia portuguesa e sobretudo o povo português muito deve.
Pessoalmente, reconheço hoje que muito aprendi com todos eles. De todos eles recebi enormes lições de vida. Com todos eles, aprendi a ser mais cidadão, mais homem, mais português.
Alguns de vós, que vão lendo este meu blogue, me criticarão por referir aqui estes três portugueses. Essa crítica basear-se-á por verem estes portugueses ligados apenas a correntes políticas. Apenas pretendo que os vejam para além dessas simples conotações. Eu próprio, pessoalmente, já estive politicamente em posições contrárias a todos eles. Como muitos sabem, eu próprio tenho seguido posições políticas bem mais próximas de um deles. Os que me conhecem sabem quem é. Os que não me conhecem tão bem, que procurem saber, estudando mais a minha forma de estar na vida e de defender os meus valores.
Vejamos então alguns traços destes três portugueses.

Álvaro Cunhal
Álvaro Cunhal - Recordo o que ia sabendo da sua vida e da sua enorme capacidade de luta e de liderança, antes do 25 de Abril, pelos meus muitos amigos militantes do PCP, em Portugal e em Paris. Depois do 25 de Abril, recordo a sua profunda ligação às causas por que sempre lutou durante toda a vida, com completa dedicação e absoluta coerência.
Mas, para mim, o grande exemplo foi o de um democrata, em permanente dedicação a esses valores, numa luta e entrega diárias, apresentar uma tão lúcida visão da História de Portugal e Universal, um tão elevado conhecimento crítico da Arte e da Cultura, uma tão profunda capacidade de exposição de sentimentos e realidades, como romancista e como artista plástico. Para compreender esta enorme personalidade, é indispensável, para além de ler a sua enorme obra política e de intervenção social, ler e sentir a sua poesia e os seus romances, admirar e refletir sobre os seus desenhos e obras pictóricas...Com ele muito aprendi como importante é a Cultura na vida e progresso dos povos e das nações... E como a verdadeira Cultura está intrinsecamente ligada à Democracia e à Liberdade.

Mário Soares
Mário Soares - Dos quatro, foi o único com quem tive oportunidade de estar pessoalmente... em 1998, quando foi ao Centro Cultural de Belém proferir uma das Conferências plenárias do Congresso Internacional da Vinha e do Vinho, nesse ano realizado em Portugal e pela qual eu próprio tive alguma responsabilidade... alguns anos antes, quando ainda Presidente da República, numa visita que fez à ex-Estação Nacional de Melhoramento de Plantas, em Elvas, e onde eu fui representar a ex-Estação Vitivinícola Nacional... e bastantes anos antes, quando foi deportado pela ditadura para São Tomé, e quando eu, com alguns amigos meus, nos fomos "despedir" dele ao Aeroporto de Lisboa... Do contato que referi primeiramente, recordo uma conferência pouco entusiasmante  e com pouca preparação da sua parte, o que me entristeceu. De Elvas, recordo o seu ar de permanente boa disposição, com um nível cultural de elevadíssima dimensão e de uma simpatia cativante, sobretudo para os mais jovens. Do primeiro encontro, guardo a sua serenidade perante a adversidade e a transmissão para todos da importância de lutar por aquilo em que se acredita... Para mim, guardo sobretudo essa mensagem...

Francisco Sá Carneiro - Recordo dele sobretudo o seu papel de contribuir para o derrube da ditadura por dentro, antes do 25 de Abril, como "deputado" duma pretensa União Nacional "renovada" (projeto completamente falhado) e como autor de importantíssimos artigos de filosofia política no "Expresso", autênticas pedradas nas consciências em tempos de obscurantismo cultural. Mas recordo também, com enorme admiração, a sua coragem de afirmação de vida e verdade, imensas vezes demonstrada, e tão difícil na época, do assumir a sua opção de vida com Snu Abecassis, editora das "Publicações D. Quixote"... São exemplos como este que ajudam os cidadãos a assumir-se plenamente e a crescer.

Todos eles, mesmo enquanto líderes políticos, elegeram a defesa da Cultura como primeira das prioridades...
É este o Portugal que eu amo!


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