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Dada a minha relativamente rica experiência de vida, designadamente no âmbito profissional, foi-me sugerido por alguns colegas e amigos que a transmitisse, por intermédio de um blogue. Assim, aqui lhes irei transmitindo experiências de vida, de cariz profissional mas não só. Experiências desde a minha adolescência. Experiências com amigos e com causas. No fundo experiências de um português que nasceu no pós-guerra, que viveu a Ditadura e a Democracia, e que teve a sorte de ter uma vida compartilhada com tantos amigos...

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sábado, 14 de maio de 2011

O Seviço Nacional de Saúde

Conheci o Serviço Nacional de Saúde, por dentro, em 2007. E conheci-o por dentro, enquanto cidadão, enquanto utente, que é certamente a melhor forma de o conhecer...
 
A dois dias do Natal de 2007, fui internado de urgência no Serviço de Medicina Interna do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, em crítico estado clínico, com uma aguda desidratação originada por uma pneumonia, consequência de cerca de uma semana com um muito deficiente acompanhamento médico em minha casa, por parte de um profissional indicado por uma prestigiada instituição de saúde privada. Encerro aqui este aspeto, que originou inclusivamente um processo na Ordem dos Médicos, voltando ao meu internamento de urgência, a dois dias do Natal de 2007, no Serviço de Medicina Interna do Hospital Curry Cabral, em Lisboa. Fui assistido por muito competentes equipas de profissionais (médicos, técnicos, enfermeiros, pessoal auxiliar).
Estive internado em enfermarias, com cerca de seis doentes. Presenciei diariamente (e 24 horas por dia) a forma dedicada como todos os doentes eram acompanhados.
Poderia aqui descrever dezenas (talvez até centenas) de casos que bem espelham o que acabei de dizer. Cito apenas alguns casos...
Durante todo o tempo, não houve nenhum esquecimento na administração dos medicamentos, ou na realização dos inúmeros exames auxiliares... tendo sido sempre devidamente acompanhado nas necessárias deslocações no interior do Hospital e até para o Hospital de Santa Marta, onde tive de me deslocar para realização de exames complementares. E verifiquei que isso se passava com todos os internados.
Recordo um doente especial que estava internado, num estado já adiantado de demência... o Sr. Luís, que incomodava permanentemente todo o pessoal... Nem com esse doente, vi qualquer reação de incúria ou sequer de desagrado.
Passei a noite de Natal e a passagem de ano internado. Nessas noites e nos dias de Natal e de Ano Novo, para além de uma alimentação adaptada às tradições, vincou-se mais ainda a atenção do pessoal para com os doentes...
Durante o meu internamento, tive de sofrer uma ligeira intervenção cirúrgica. Durante os primeiros dias, redobraram essas atenções. Recordo, por exemplo, quando pouco tempo depois da intervenção tive de ir realizar um exame radiológico, noutro pavilhão, ter havido a iniciativa pessoal (pois não era necessário) duma senhora enfermeira, que já tinha saído de turno, para me acompanhar.
As instalações não terão evidentemente o luxo (por vezes, até incomodativo) de alguns Hospitais privados, poderão ter roupas de cama evidenciando já largos anos de uso (embora sempre com inexcedíveis sinais de limpeza e higiene). Aliás cheguei, no início, a recusar a possibilidade de ser transferido para um bem conhecido Hospital privado de Lisboa, com acordo com a ADSE.
E tudo o que referi poderá ser extrapolável para todos os funcionários com quem contactei, incluindo até administrativos e motoristas. E extrapolável também para a curta experiência que tive, durante a última semana do meu internamento, no Hospital de Santa Marta.
Estive pois internado quase dois meses (tive alta em 15 de Fevereiro de 2008), em condições que reputo de muito boas, e paguei pouco mais de 50 € (incluindo a estadia, a assistência, os medicamentos, os inúmeros exames complementares, uma intervenção cirúrgica, ...), não estando abrangido por qualquer isenção, devido aos meus rendimentos.
A conclusão que pretendia tirar desta minha experiência, divulgando-a publicamente, é que o Serviço Nacional de Saúde que existe hoje é um enorme bem para a população portuguesa, talvez exemplo para muitos outros países ditos desenvolvidos, e que muito disso (talvez mesmo o principal) se deve ao enorme profissionalismo do seu pessoal.
Reforço esta análise com uma pequena história que um médico de serviço me contou, durante o meu internamento. Um dia, estaria de serviço no Hospital de Santa Maria, quando entrou de urgência um cidadão norte-americano com uma grave crise cardíaca. O homem estaria em pânico, por não ter um Seguro de Saúde válido para Portugal. O médico o teria descansado... referindo-lhe que, em Portugal, um doente que entre de urgência num Hospital público é atendido e tratado, independentemente das disponibilidades de pagamento. Disse-me o médico a sorrir: "passado algum tempo, o americano voltou para os Estados Unidos com um coração "novo", tendo dito que se isto se tivesse passado nos Estados Unidos, o país mais desenvolvido do Mundo, teria morrido".
Passei a entender bem porque é que o Serviço Nacional de Saúde, como por exemplo agora, é objeto de tantos ataques. E pensemos um pouco: quem tem interesse em acabar com ele? O povo português não é certamente!
Pode parecer até estranho: quando tive alta e saí do Hospital, até fiquei com saudades desse pessoal, designadamente do pessoal de enfermagem. 
Meus amigos e amigas, dedico-lhes esta pequena crónica.

1 comentário:

  1. Estive internada o ano passado no Hospital de Vila Real, para uma intervenção cirúrgica. Também eu, bem como as minhas duas colegas de enfermaria, fui atendida com todo o carinho e atenção. Subscrevo tudo o que por ti foi dito. O nosso Serviço Nacional de Saúde é um bem que temos.

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