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Dada a minha relativamente rica experiência de vida, designadamente no âmbito profissional, foi-me sugerido por alguns colegas e amigos que a transmitisse, por intermédio de um blogue. Assim, aqui lhes irei transmitindo experiências de vida, de cariz profissional mas não só. Experiências desde a minha adolescência. Experiências com amigos e com causas. No fundo experiências de um português que nasceu no pós-guerra, que viveu a Ditadura e a Democracia, e que teve a sorte de ter uma vida compartilhada com tantos amigos...

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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Belo Horizonte... Minas Gerais

BH-Praça da Estação
Falarei hoje de Minas Gerais, de Belo Horizonte... Uma das cidades onde, nos últimos anos, muito tenho vivido... E, mais uma vez, o que mais a ela me liga são as pessoas, os amigos...
E estarei sempre a ver pessoas, amigos...subindo a Av. Afonso Pena, da Praça Sete ao Parque das Mangabeiras, nos cheiros e nas cores do Mercado Central, na Praça da Estação (onde está hoje o Museu de Artes e Ofícios), na Pampulha e na sua lagoa, nas lojas e nos bares da Savassi, nos espetáculos do Palácio das Artes, nos museus da Praça da Liberdade renovada, na Floresta...
BH- Mercado Central
Para eles todos, este meu grito de saudação: Uai! Todos eles me compreendem quando assim os saudo. Para os outros que me lêm, se não me compreendem, se não sabem o que lhes digo quando digo Uai, nesta maneira tão mineira de falar, apenas lhes digo que Uai é Uai, Uai!
Minas Gerais é muito, muito mais que BH (mesmo a BH das obras do enorme Arquiteto Oscar Niemayer): é a Estrada Real (caminhos trilhados pelos colonizadores desde a descoberta do ouro até à sua exaustão), são as montanhas, são as cidades históricas onde é tão forte a presença portuguesa da era colonial... Tiradentes, Ouro Preto, Congonhas (com as obras escultóricas de António Francisco Lisboa, "o Aleijadinho"), Sabará, Mariana, São João d'El-Rei, Diamantina...
Serra da Piedade
Mas no fundo, o que é ser mineiro?
Cachoeira de São João d'El-Rei
Ouçamos Fernando Sabino: "Ser mineiro é não dizer o que faz, nem o que vai fazer, é fingir que não sabe aquilo que sabe, é falar pouco e escutar muito, é passar por bobo e ser inteligente, é vender queijos e possuir bancos. Um bom mineiro não laça boi com imbira, não dá rasteira no vento, não pisa no escuro, não anda no molhado, não estica conversa com estranhos, só acredita na fumaça quando vê fogo, só arrisca quando tem certeza, não troca um pássaro na mão por dois voando. Ser mineiro é dizer Uai, é ser diferente, é ter marca registada, é ter história. Ser mineiro é ter simplicidade e pureza, humildade e modéstia, coragem e bravura, fidalguia e elegância. Ser mineiro é ver o nascer do sol e o brilhar da lua, é ouvir o cantar dos pássaros e o mugir do gado, é sentir o despertar do tempo e o amanhecer da vida. Ser mineiro é ser religioso e conservador, é cultivar as letras e artes, é ser poeta e literato, é gostar de política, é amar a liberdade, é viver nas montanhas, é ter vida interior, é ser gente".
Por isso, todos somos um pouco mineiros... e eu sou mais gente depois de ter passado a ser também um pouco mineiro, só por conhecer amigos mineiros...
E que maravilha visitar as Cidades Históricas... Ouro Preto, Congonhas, Sabará, Tiradentes... onde temos diante da vista a História colonial, a escravatura na base da economia das plantações de cana e dos engenhos do açúcar e das minas de ouro e de diamantes, as lutas pela independência do Brasil e contra a escravatura, a construção da República Federativa...
Ouro Preto
 E hoje diante de nós um país do futuro, baseado na liberdade e na democracia, tendo como pano de fundo sempre o desenvolvimento cultural... Veja-se os extraordinários museus recentemente aparecidos em BH, na Praça da Liberdade, onde era a antiga cidade administrativa... Veja-se os teatros da capital, sempre lotados... Veja-se o complexo de Inhotim, a maior realização que alguma vez pude presenciar, juntando Arte Contemporânea, preservação da natureza e Beleza...
Inhotim
Tiradentes
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Comecei a escrever este texto em Lisboa, em 14 de Julho. No dia 16, vim novamente para BH. O conjunto das atividades que presenciei até hoje, dia 31, duas semanas depois de ter chegado, comprovam bem o que acima referi:
- Duas exposições de pintura no Palácio das Artes (uma grandiosa exposição sobre a História de um Século, 1911 a 2011, da pintura brasileira, e uma outra da pintora contemporânea Marina Nazareth).
- Um Concerto da Orquestra Sinfónica de Minas Gerais, sob regência de Roberto Tibiriçá, e com a participação especial de Zizi Possi, no Grande Teatro do Palácio das Artes (de Beethoven a Handel e a Schubert, de Amorusso a Minozi, de Edu Lobo a Chico Buarque e a Gonzaguinha).
- Na Casa Fiat de Cultura, a exposição de "Tarsila do Amaral e o Brasil dos Modernistas", como, entre tantos outros, Di Cavalcanti e Candido Portinari.
- Um concerto de Jazz, no fim da tarde, na Praça da Liberdade.
- Um espetáculo de Ballet, interagindo com o público, no Salão de entrada do Palácio das Artes.
- Dois fantásticos Museus, recentemente inaugurados ("Memorial de Minas Gerais - Vale" e "Museu das Minas e do Metal"), instalados em edifícios da antiga Cidade Administrativa, na Praça da Liberdade.
- A exibição do filme de Orson Welles (de 1947) "A Dama de Shangai", num ciclo de Cinema Clássico (uma sala cheia às 5 h da tarde!).
- Um Concerto de Jazz, pela Orquestra Sinfónica de Minas Gerais com o trompetista norte-americano Chris Potter, no Parque Municipal, numa bela manhã de domingo, e integrado na Série "Concertos no Parque".
Note-se que a grande maioria destes eventos são com entrada gratuita. Assim se constrói um país culto. E um país culto é um país rico e desenvolvido!


E termino com a mineira Paula Fernandes, na maravilhosa canção "Seios de Minas"

1 comentário:

  1. nunca estive em Minas Gerais mas tenho muita pena.

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