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Dada a minha relativamente rica experiência de vida, designadamente no âmbito profissional, foi-me sugerido por alguns colegas e amigos que a transmitisse, por intermédio de um blogue. Assim, aqui lhes irei transmitindo experiências de vida, de cariz profissional mas não só. Experiências desde a minha adolescência. Experiências com amigos e com causas. No fundo experiências de um português que nasceu no pós-guerra, que viveu a Ditadura e a Democracia, e que teve a sorte de ter uma vida compartilhada com tantos amigos...

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Jerusalém, Istambul e Cairo - a História milenar às portas da Europa...

Jerusalém, Istambul e Cairo são certamente, das cidades que conheço, as que mais nos transmitem a magnificente História de culturas milenares.
Cidades não europeias, mas às portas da Europa, embora parte de Istambul esteja no continente europeu. É a Ásia e a África às portas da Europa, com uma profundíssima ligação à História da cultura europeia.
Evidentemente que, quando refiro as cidades me refiro também à sua envolvência geográfica e cultural... Quando me refiro a Jerusalém, falo também do Vale do rio Jordão, do lago Tiberíades e do Mar Morto, dos atuais Estados de Israel, do Líbano, da Síria, da Jordânia e da Palestina.
Quando falo de Istambul, estou também a referir-me a Bizancio e à antiga e nobre Constantinopla, à sede do antigo Império Otomano e à atual nação turca. Quando me refiro à cidade do Cairo, estou evidentemente a falar de toda a História das culturas que floresceram nas margens do grande rio Nilo.
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Jerusalém
Destas cidades, a primeira que visitei foi Jerusalém, em 1985. Percorri igualmente a costa mediterrânica, de Telaviv a Haifa, o lago de Tiberíades e o Vale do Jordão até ao Mar Morto. Estava no início a denominada intinfada, a "guerra das pedras".
O que mais retenho dessa viagem é o seguinte:
- O estilo de vida bem americano nas cidades nas margens do lago, com vista para os Montes Golan, na outra margem, e a tão curta distância da Síria e do Líbano, países em guerra quase permanente com Israel.
- A total ocupação por Israel do Estado Palestiniano, ainda não reconhecido internacionalmente nesses tempos (recordo, por exemplo, a escolta que tive nas "visitas turísticas" que fiz a cidades como Belém e Hebron, na altura anexadas a Israel).
- A disputa ao metro quadrado dos turistas nos principais locais religiosos, por parte dos judeus, dos muçulmanos e dos cristãos (católicos, protestantes, ortodoxos gregos, ortodoxos russos, ...): isto sobretudo em Jerusalém, centro das três grandes religiões Abrahamicas (monoteístas) do Mundo (Judaismo, Islamismo e Cristianismo), mas também em Nazareth e Belém.
Belém
- A completa e gradual mudança de paisagem, percorrendo o Jordão de norte para sul, desde os campos verdejantes e de avançada agricultura na região do lago Tiberíades aos desertos do sul. E o avanço da agicultura desenvolvida vai crescendo ano após ano, graças ao enorme investimento feito na investigação agrária como fator de progresso: como me tenho servido deste exemplo ao longo da minha carreira profissional, quando vejo como os poderes em Portugal têm desprezado esta realidade!
Mas, de facto, é espetacular o que se aprende de História ao andar nestas paragens, especialmente deabulando pelas ruas de Jerusalém.
Jerusalém, a terceira cidade santa para o Islamismo. Jerusalém, a cidade santa do Cristianismo, onde Jesus Cristo foi crucificado em 33 DC, segundo o Novo Testamento. Para o Judaismo, de acordo com o Velho Testamento, Jerusalém é a cidade onde o Rei David estabeleceu o Reino Unido de Israel em 1000 AC e onde se construíu o "primeiro Templo": vem desta fortíssima impressão que tive em 1985 a principal razão do nome do meu filho nascido em 1988... David.
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Istambul
Quase duas décadas depois de ter visitado Jerusalém, em 2002 visitei Istambul, bem como diversas outras regiões e cidades da Turquia atual, mas o que mais retenho desta visita é certamente esta  maravilhosa e muticultural cidade do estreito do Bósforo: a Bizâncio e a Constantinopla de tantos Impérios que moldaram a Europa e o Médio Oriente durante séculos! É uma maravilha atravessar, numa tarde de sol, o estreito do Bósforo, que divide a cidade mas que une a Europa e a Ásia (Anatólia).
Mausoléu de Ataturk (Ankara)
Desta visita a Istambul e a toda a Turquia, recordo também o fascínio pela construção da República da Turquia moderna, com a obra do seu principal fundador Mustafa Kemal Ataturk, revolucionário, lider do movimento nacional turco para a independência e fundação da República moderna, com um programa de profundas reformas políticas, sociais, económicas e culturais; baseou a sua ação política na de um homem de elevada cultura e escritor. Foi o primeiro Presidente da República Turca moderna. O seu grandioso mausoléu, em Ankara, faz-nos refletir sobre como pode a força anímica dum homem de cultura transformar um poderoso Império e a História da Humanidade.
Istambul - Grande Bazar
Outra das mais importantes recordações que retenho desta visita é a que resulta do que pude observar, em diversas ocasiões, duma tão íntima convivência entre culturas tão diversificadas... do Islão (claramente dominante) ao Judaismo e ao Cristianismo... Para verificar esta realidade, basta uma simples visita ao Grande Bazar de Istambul. Nunca tal intimidade vi nos países de cultura islâmica que conheci até hoje... nem, claro, em Israel ou nos diversos países de cultura cristã. Penso que será esta realidade que poderá vir a possibilitar um dia a adesão da Turquia à União Europeia, como tanto o povo turco deseja e como tanto me pediram para transmitir à Europa a que pertenço, como se eu tivesse alguma influência nessa matéria (em qualquer dos casos aqui fica esse apelo!!).

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Em 2008, visitei o Cairo e todo o Vale do rio Nilo até Assuão. Certamente que a maior impressão que retenho é a de mais de 5 000 anos de História com que nos confrontamos permanentemente, chocando o reduzido cuidado colocado na sua conservação...
Cairo - a Esfinge
O Mercado do Cairo
A par desta beleza milenar (ver o vídeo que apresento no final deste artigo), onde se fica absolutamente "abafado" com a grandiosidade das obras arquitetónicas e escultóricas (destaco, nesta ótica, as pirâmides de Gizeh, a Esfinge e Abu Simbel), é a beleza do rio Nilo, com os seus milhares de quilómetros serpenteando no deserto e com uma reduzida e incipiente agricultura nas suas margens: para além dumas centenas de metros da margem, é de novo o interminável deserto!
Estive no Egito em 2008, portanto bem antes da queda do regime de Mubarak.
Rio Nilo
Abu Simbel
Barragem de Assuão
Policiamento permanente nos navios
ancorados nas margens do Nilo
Não presenciei grandes efeitos nas ruas desse regime ditatorial (aliás, as ditaduras escondem sempre esses efeitos aos estrangeiros... como acontecia no Portugal de Salazar, na Espanha de Franco ou no Brasil da ditadura militar). As principais exceções seriam a muita miséria visível nas ruas e o forte policiamento existente nos locais de maior concentração de turistas. Por exemplo, o navio em que fiz o cruzeiro ao longo do Nilo estava permanentemente guardado pela polícia e a viagem que fiz de Assuão - Abu Simbel - Assuão foi feita numa caravana automóvel de muitas dezenas de viaturas, fortemente escoltada pela polícia.


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