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Dada a minha relativamente rica experiência de vida, designadamente no âmbito profissional, foi-me sugerido por alguns colegas e amigos que a transmitisse, por intermédio de um blogue. Assim, aqui lhes irei transmitindo experiências de vida, de cariz profissional mas não só. Experiências desde a minha adolescência. Experiências com amigos e com causas. No fundo experiências de um português que nasceu no pós-guerra, que viveu a Ditadura e a Democracia, e que teve a sorte de ter uma vida compartilhada com tantos amigos...

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quinta-feira, 15 de março de 2012

Xanana Gusmão

Xanana Gusmão
Xanana Gusmão (José Alexandre Gusmão) nasceu em Laleia, Manatuto, Timor Leste (então colónia portuguesa) em 20 de junho de 1946. Frequentou um colégio jesuíta, nos arredores de Dili. Aos 15 anos saíu do colégio, por motivos financeiros familiares, continuando os estudos numa escola noturna e exercendo diversas profissões não qualificadas. Durante o governo português em Timor Leste, de 1966 a 1968, foi funcionário do Departamento de Silvicultura e Agricultura. Em 1968 foi encorporado no exército português, onde esteve durante três anos, conforme o que se passava na altura com todos os jovens em Portugal e nas suas colónias: Portugal mantinha a guerra colonial em diversas frentes!

Em 1971, ingressou numa organização nacionalista encabeçada por José Ramos-Horta; até 1974, esteve ativamente envolvido em protestos pacíficos dirigidos ao sistema colonial.
Em 1974, quando o governo português promoveu a descolonização de Timor Leste, tornou-se membro da ASDT (Partido Social-Democrata de Timor Leste), mais tarde transformado na FRETILIN (Frente Revolucionária para a Independência de Timor Leste). Integrou o Comité Central da FRETILIN.
Fretilin na clandestinidade
Em 1975 uma intensa luta interna ocorreu entre duas fações rivais no Timor Português. Xanana Gusmão envolveu-se profundamente com a FRETILIN, tendo sido preso e encarcerado pela fação rival  União Democrática Timorense (UDT), em meados de 1975. A Indonésia começou imediatamente uma campanha de desestabilização, e frequentes incursões no Timor Português foram realizadas a partir de Timor Ocidental indonésio. No final de 1975, a Fretilin ganhou o controlo do Timor Português e Xanana foi libertado, sendo conduzido ao cargo de secretário de imprensa dentro da FRETILIN. Em 28 de novembro de 1975, a Fretilin declarou a independência do Timor Português como "República Democrática de Timor Leste". Nove dias depois, a Indonésia invadiu Timor Leste. Xanana estava visitando amigos fora de Díli, tendo testemunhado a invasão, nas colinas.
Timor Leste
Em 1978 e 1979, quando a maioria dos líderes da FRETILIN e os líderes das Falintil (o braço armado da FRETILIN) foram mortos pelas tropas indonésias, designadamente o Presidente da FRETILIN Nicolau Lobato, assassinado em 31 de dezembro 1978, Xanana tornou-se o líder da FALINTIL. Em 1981, quando a FRETILIN começou a organizar a resistência armada contra a Indonésia, o Congresso investiu Xanana do cargo de seu novo presidente. Em março de 1983, o comandante indonésio em Timor Leste, coronel Purwanto, terá negociado com Xanana uma solução pacífica para o conflito em Timor Leste. No entanto, o novo ministro da Defesa indonésio LB Murdani terminou as negociações por Xanana ter solicitado um mediador da ONU envolvido nas negociações.
Em 1986, Xanana e os seus companheiros nas montanhas criaram o Conselho Nacional da Resistência Maubere (CNRM), organização global contra o domínio indonésio no Timor Leste, integrando a FRETILIN, a FALINTIL, a Igreja Católica e a UDT. Xanana passou a ser o Presidente desta organização e Comandante-em-chefe das FALINTIL.
Em novembro de 1991, teve lugar em Dili o tristemente célebre massacre no cemitério de Santa Cruz, onde as tropas indonésias mataram mais de 200 jovens. O Comandante-em-chefe das forças armadas indonésias General Try Sutrisno acusou publicamente Xanana de ter sido o responsável por este massacre. Xanana tornou-se mesmo o alvo principal do governo indonésio. Em novembro de 1992, Xanana foi preso em Díli por militares indonésios, tendo sido condenado a prisão perpétua, em maio do ano seguinte, pelos tribunais indonésios em Díli. Poucos meses depois, o governo indonésio enviou Xanana para uma prisão política em Semarang (Java Central) e no final de 1993 para outra prisão política (prisão de Cipinang, em Jacarta). 
No julgamento, ele próprio realizou a sua própria defesa... o que foi possibilitado por um extraordinário ato de heroísmo e de enorme inteligência:  encenou um "falso arrependimento" por ter lutado por um Timor independente e contra a Indonésia, o que permitiu que, no julgamento, pudesse falar para todo o Mundo em nome dum Timor livre e independente, tendo como resultado um enorme impacto mediático internacional em favor da libertação e independência de Timor.
Em consequência, no início de 1994, depois de crescente pressão internacional, o presidente Suharto, da Indonésia, reduziu a sentença de Xanana para 20 anos de prisão. A Resistência timorense continuou a reconhecer Xanana como líder da Resistência, estando embora preso. Conduziu com sucesso a resistência dentro da prisão, tendo sido visitado por representantes das Nações Unidas e por diversas personalidades, como por exemplo Nelson Mandela.
Xanana, líder da Resistência Timorense
Em 30 de agosto de 1999, foi realizado um referendo em Timor Leste, tendo uma esmagadora maioria votado pela independência. Os militares indonésios iniciaram então uma campanha de terror, de terríveis consequências. Como resultado duma esmagadora pressão diplomática das Nações Unidas, promovida por Portugal e também pelos Estados Unidos e pela Austrália, a ONU instalou uma força internacional de manutenção da paz (INTERFET), liderada pela Austrália. Xanana, após o retorno à sua terra natal, começou uma campanha de reconciliação e de reconstrução.

Xanana foi nomeado pela ONU para um papel primordial na administração internacional que governou Timor Leste até 20 de Maio de 2002. Durante esse tempo, sempre lutou pela unidade e paz dentro de Timor Leste, tendo sido universalmente considerado como o líder de facto deste novo país. As primeiras eleições foram realizadas no final de 2001 e Xanana, apoiado por nove partidos, mas não pela Fretilin, concorreu como independente e foi confortavelmente eleito líder. Como resultado, tornou-se no primeiro presidente de Timor Leste, quando se tornou formalmente independente em 20 de maio de 2002.
Em 2007, recusou-se a concorrer às eleições presidenciais para outro mandato, tendo sido eleito José Ramos-Horta. Em junho de 2007, Xanana foi primeiro nome da lista do CNRT (Congresso Nacional de Reconstrução Timorense) que obteve 24,1% dos votos, ingressando assim no Parlamento. O CNRT, aliado a outros partidos, constituíu uma maioria parlamentar, com mais deputados que a Fretilin. Xanana Gusmão tornar-se-ia primeiro-ministro em 8 de agosto, empossado pelo Presidente Ramos-Horta no palácio presidencial em Díli.
O seu percurso político foi ainda marcado, em 2008, por uma tentativa de golpe de estado, numa ação em que o Presidente Ramos-Horta ficou seriamente ferido.
Em 1999, Gusmão foi galardoado com o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento. Em 2000, foi premiado com o Nobel da Paz de Sydney, considerado como "líder corajoso e de princípios para a independência do povo timorense". Também em 2000, ganhou o primeiro Prémio Gwangju para os Direitos Humanos, criada para homenagear "os indivíduos, grupos ou instituições na Coreia e no exterior que têm contribuído na promoção e avanço dos direitos humanos, democracia e paz através de seu trabalho". Em 2002, foi galardoado com o Prémio Norte-Sul do Conselho da Europa. Xanana Gusmão é ainda um eminente membro do Sérgio Vieira de Mello Foundation.

Foi esta enorme personalidade que guiou o povo timorense à independência, sempre com total respeito pelos direitos humanos, mesmo os dos seus inimigos, que decidi agora aqui homenagear.
Um dos aspetos que mais me tocou foi o de ter encenado uma cena de arrependimento por estar ligado aos movimentos de libertação de Timor, o que levou a que tivesse sido julgado sob grandes holofotes da comunicação social internacional, e aproveitando esse facto para alertar o Mundo para o sofrimento do povo timorense e a inevitabilidade da independência desta pátria.

Homenagear Xanana e a sua coragem é homenagear Timor e o seu grande e mártir povo!
Ouçamos a homenagem dos Trovante...

       Ai Timor
       calam-se as vozes
       dos teus avós

                                       Ai Timor
                                       se outros calam
                                       cantemos nós




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