Bem-vindo!

Dada a minha relativamente rica experiência de vida, designadamente no âmbito profissional, foi-me sugerido por alguns colegas e amigos que a transmitisse, por intermédio de um blogue. Assim, aqui lhes irei transmitindo experiências de vida, de cariz profissional mas não só. Experiências desde a minha adolescência. Experiências com amigos e com causas. No fundo experiências de um português que nasceu no pós-guerra, que viveu a Ditadura e a Democracia, e que teve a sorte de ter uma vida compartilhada com tantos amigos...

Agradeço o vosso contacto para curvelogarcia@netcabo.pt



segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Uns e os outros, na crise económica...

Em consequência da crise económica e financeira que tem assolado o nosso país, temos assistido ultimamente a ataques de grupos de pessoas contra outros grupos...  Vemos os mais jovens criticando e combatendo os mais velhos por terem direito a pensões de aposentação que eles, segundo pensam, nunca virão a ter... vemos os mais velhos criticando e combatendo os mais novos por não terem ainda história suficiente para terem opinião... Vemos os funcionários públicos e os trabalhadores do setor privado acusando-se mutuamente de terem mais regalias ou de estarem a ser mais poupados às medidas devastadoras impostas pelo Governo... Vemos também os trabalhadores no ativo e os pensionistas e reformados acusarem-se também mutuamente de terem mais regalias...
A divergência destas posições tem vindo a ser "preparada", ao longo dos últimos anos, pelos poderes, pelo atual governo e pelos anteriores...
Seja por exemplo no que se refere a ir criando a ideia, na comunidade, de que os funcionários públicos ganham muito e trabalham pouco... mas falando sempre em "funcionários públicos", nunca discriminando de que se tratam dos médicos e enfermeiros que estão nos hospitais a tratar da saúde de todos, ou de que se tratam dos professores que estão nas escolas, ou dos polícias que zelam pela nossa segurança, etc. Refere-se sempre apenas "funcionários públicos" para lhes retirar aqueles atributos que leva a comunidade a sentir a sua importância: a professora do seu filho, a empregada da escola que lhe abre a porta todas as manhãs, o médico que consultou no Centro de Saúde, o enfermeiro que o atendeu na Urgência do Hospital, etc...
Outra das ideias que tem sido "fabricada" ao longo dos anos é a que o sistema de segurança está em processo de falência, face ao aumento da esperança de vida dos portugueses: quase que se culpa a população por viver mais tempo do que devia!
Mas muito pouco se tem dito sobre as sucessivas alterações e atualizações das fórmulas de cálculo das pensões, com base nos múltiplos estudos dos especialistas na matéria, que têm assim vindo a recuperar esse eventual processo de falência.
Ouvindo alguns comentários governamentais, parece também haver um fosso entre o sistema geral da segurança social e o sistema da CGA (aplicado aos funcionários públicos): mas nada dizem sobre o verdadeiro fosso existente - no primeiro caso, a entidade patronal cofinancia a segurança social, a par dos trabalhadores, enquanto que no segundo caso são inúmeras as situações em que esse cofinanciamento não existe (o Estado, a entidade empregadora dos funcionários públicos, não cofinancia a par dos descontos dos funcionários).
Mas, no fundo, o que se passa é que os ataques aos direitos fundamentais dos trabalhadores e o "roubo" dos salários e pensões tem sido para todos esses grupos... jovens e idosos, trabalhadores no ativo e reformados e pensionistas, trabalhadores do setor público e do setor privado!

 Mas nem todos os portugueses têm sido objeto deste "roubo"... alguns até têm sido beneficiários desta situação de crise...
Que são senão beneficiários os autores de falências fraudulentas, os homens que levaram às situações críticas do BPN e do BANIF, originando "buracos" de muitos milhares de milhões de euros, a pagar pelos contribuintes (todos,  jovens e idosos, trabalhadores no ativo e reformados e pensionistas, trabalhadores do setor público e do setor privado), por omissão de responsabilidades ou até por cumplicidade dos poderes governamentais!

Assim, se há interesses opostos, não é entre  jovens e idosos, trabalhadores no ativo e reformados e pensionistas, trabalhadores do setor público e do setor privado, mas sim entre todos estes e os outros, os homens do irracional e desumano mundo financeiro!
 
 São a contradição dos interesses de UNS e os OUTROS!

2 comentários:

  1. o comentário é simples e conciso...é dividir para reinar. Todos precisam de viver,basta que meia dúzia utilizem os seus postos previligiados para denegrir os outros-maioria,estabelece-se a desconfiança e o governo aproveita cortar e diz que é a mando da troika. Assim o sns com adse,assim deficientes sem pagar irs e os outros que ganham o mesmo mas descontam 10%.Assim func.que não tem trabalhado distribuido8e tb não querem)e os chefes com rabo de palha ...a guerra setá lançada e ninguém produz nada...é o fim.

    ResponderEliminar
  2. Caro bloguista: cumprimento-o pela lucidez e coragem deste seu artigo! Este seu artigo deveria ser amplamente divulgado. Gostaria que os responsáveis dos partidos do governo e da oposição lessem isto. José Carvalho

    ResponderEliminar